O Burro, o Cachorro, as Crianças e Sua Mãe

 

-Mestre Rav, como saberemos a qual hora deveremos revezar na vígilia(mishmeret) da entrada do templo?

-Prestem atenção no Burro, nos Cachorros, nas Crianças e sua Mãe.

-Nenhum dos jovens meninos candidatos a sentinelas(leviim) entenderam nada.

Já haviam se passado 2 horas após o pôr-do-sol, os animais estavam todos guardados em seus devidos locais de repouso, e os bebês da comunidade em suas casas, sob cuidado de suas mães. Todos sabiam que as rezas começavam após o aparecimento de três estrelas no céu, pois assim era em todo Shabat, mas à essa altura já haviam muitas.

O mestre Rav, então, indagou aos jovens:

-Vocês não tem consigo clepsidras(relógios de água), ampulhetas(relógios de areia, representando a terra), ou nem ao menos velas(relógios de fogo, já que era noite e não poderiam usar o relógio solar)?

-Não, mestre. Nossos pais não nos deixaram trazer nenhum destes relógios, mas nos mandaram aqui para aprender contar as horas sem precisar de nenhum deles.

-Eu nunca vi uma clepsidra. Só conheço as ampulhetas, completou.

-Eu também, disse outro menino.

(O mestre lhes ensinaria as horas pelo simbolismo do “ar”, o céu estrelado, o mais complexo de todos)


Para que houvesse justiça e todos pudessem ter o mesmo tempo de estudo para aprender a Torá, era necessário que a troca de turno para vigiar a entrada ocorresse em tempos mais ou menos iguais num espaço de 2 horas até voltarem para casa, o que daria cerca de 40 minutos em média para cada um.

O mestre tornou a repetir, dessa vez com pistas um pouco mais claras:

-Olhem ao céu, sempre naquele ponto. Prestem atenção no Burro, nos Cachorros, e nas Crianças e sua Mãe.

O que Rav queria dizer basicamente era que a hora de trocar de turno seria determinada pela hora em que cada um desses sinais ascendesse no horizonte.

Alguns podem se perguntar: ora, para medir as horas a noite, semelhante ao dia, bastaria usar o luminar dominante noturno(a Lua).

Mas isso só fazia sentido nas Luas Cheias, quando a Lua está num signo e grau oposto ao que está o Sol, mesmo porque num mesmo dado horário as vezes a Lua pode estar em locais totalmente diferentes, pode ser vista de dia, pois sua velocidade é consideravelmente diferente da velocidade do Sol.

Sabemos que o para o dia as horas aqui não são as 24(somando dia e noite), o que conta como Dia é tão somente o tempo da incidência da luz solar.


O princípio básico é de que quando o sol está à pino no meio do céu, é +/_ 12:00. Quando aparece no horizonte, +/- 6:00, e quando se põe totalmente, +/- 18h00.


É claro que esse tempo varia bem e não é exato assim, mas o raciocínio é esse, o de dividir a posição do sol por quadrantes ou em mais partes no céu.

Pois bem. O método usado pelos sábios era a observação das constelações, geralmente dividindo as horas da noite em três períodos, nos quais três constelações diferentes ficavam destacadas sempre numa certa faixa(os ângulos) da abóbada em cada um dos períodos.


Quando olhavam para essa faixa e a constelação fosse diferente da anterior, era a hora de trocar de turno na vigília.
No exemplo das crianças, foi usado apenas um ponto específico, o ASCendente. 


Muitas observâncias na lei judaica são realizadas em horários específicos durante o dia, calculados rigorosamente. Amidá, o toque do Shofar, a recitação do Shemá, a reza(Tefilá) matinal de Shacharit.
O cálculo desses tempos haláchicos, conhecido como zmanim (termo hebraico para "tempos"), depende dos vários fenômenos astronômicos do dia para o local específico. 


O nascer do sol(Hanetz Hachamah, quando a borda superior do disco solar aparece no nível do mar), o pôr do sol(o momento em que a borda superior do disco solar desaparece da vista ao nível do mar), a quantidade de tempo entre eles e a posição angular do sol antes do nascer do sol são fatores que determinam os tempos haláchicos e as "horas" do dia.


[A hora tem um significado especial na lei judaica. Quando dizemos que uma certa mitzvá pode ser realizada três horas durante o dia, isso não significa três horas da manhã ou três horas depois do nascer do sol.

Em vez disso, uma hora na halachá significa 1/12 do dia(exatamente o conceito de horas planetárias na astrologia tradicional, pois advém da mesma fonte babilônica). 


Portanto, se o sol nascer às 5 da manhã e se pôr às 19:30, um shaah zmanit ou hora proporcional (pl. Shaot zmaniot ) será de 72,5 minutos(870 min divididos por 12), e todos os cálculos usarão esse número.]


De acordo com a primeira opinião, o anoitecer é 13½-18 minutos após o pôr do sol (ou, equivalente, o sol cai 3-4 ° abaixo do horizonte). 


De acordo com a segunda opinião, do Rav Tam, o anoitecer ocorre com segurança exatamente 72 minutos após o pôr do sol (ou, equivalentemente, o sol cai 6–16 ° abaixo do horizonte), mais usado por comunidades hassídicas.


Quem sabe hoje em dia que horas são se não tiver um relógio de pulso ou um celular?


Mas o que eram, enfim, o Burro, os Cachorros, as Crianças e sua Mãe?


Os antigos costumavam chamar a constelação de Ursa Maior de “O Arado”. 

Os burros eram animais puxadores de arados. Evidente que mestre Rav falaria em códigos como pistas para estimular a curiosidade dos jovens para aprender mais.


Os cachorros eram as constelações de Cão Maior e Cão Menor.

E por fim, As Crianças e Sua Mãe faziam referência à Constelação de Auriga(o Cocheiro), simbolizada por um homem carregando uma Cabrita(a Mãe) e seus 2 filhos pequenos(as crianças).


Essas constelações estão abarcadas pelo espaço geométrico dos signos de Gêmeos e Câncer, entre outros, contendo estrelas desses signos, como Capella, Polaris, Sirius, Procyon.


Sabemos que os 30° de cada signo equivalem a 2 horas, portanto o tempo aproximado de ascenção dessas constelações/estrelas todas seria de 4 horas, o suficiente para os 2 meninos estudarem a Torá e poderem conferir estes sinais no céu.

 

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